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cafezin e um livro | livros, café e teologia

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    Eu devia ter meus 3 ou 4 anos quando conheci o Patrick. Desde então, a gente nunca mais se separou.

    Patrick virou meu vizinho, e a casa dele era como se fosse uma extensão da minha. Apesar de, no início, ele e meu irmão terem começado essa amizade — passando HORAS brincando de bonecos —, aos poucos eu fui me inserindo na brincadeira, até que, com o tempo e a maturidade, fiquei por ali também.

    Os anos foram passando e todos os dias eu ia pra casa do Patrick. Depois da escola, a gente ficava junto mexendo no computador ou jogando videogame. Patrick me ensinava muitas coisas legais: Pokémon, origamis, curiosidades históricas, HQs.

    Vivemos juntos as descobertas da adolescência, o ensino médio, os amores, as escolhas profissionais… O primeiro emprego, a faculdade, a aprovação nos concursos, a segunda faculdade. Tantas coisas, boas e ruins, trágicas e extraordinárias. Coisas que, às vezes, nem precisava compartilhar com palavras, o meu melhor amigo me conhecia muito bem (e como ele costumava dizer ~ menina, eu te conheço desde dos 4 anos de idade, não tem mais nada que possa me surpreender ~). Lembro da vez em que falei com ele sobre um menino que eu tinha ficado e como aquilo estava sendo esquisito (HAHAHA meu Deus, ser adolescente é traumatizante demais). Até que um dia comecei a namorar o Vinício, que ele também já conhecia. Meu melhor amigo, meu irmão, também era amigo do meu namorado. E quando nós três estávamos juntos, tudo parecia exatamente como sempre foi.

    Patrick acompanhou minha conversão, meu namoro, meu noivado, meu casamento, minhas mudanças de estado, meu retorno para Friburgo, a reorganização da minha casa. Desde 2018, voltamos a passar o Natal e o Ano Novo juntos… até que, na manhã do dia 15 de fevereiro de 2024, eu recebi uma daquelas ligações que ninguém quer receber. Como pode? Há 3 dias atrás estávamos conversando normalmente. Tudo foi como um pesadelo, eu não tava conseguindo acreditar... Na verdade, ainda é difícil acreditar.

    Hoje eu convivo com um vazio no meu coração que é quase tão grande quanto o Patrick.

    Nesses dias dos namorados, lembrei de você. E o luto é assim… ele não escolhe a data em que, de repente, vai jogar uma memória na sua cara. Fui entrar numa trend em que era preciso escolher uma foto antiga de casal, e lembrei de uma foto tirada pelo Patrick, na casa dele: eu e Vinício jogando videogame juntos. O que eu não sabia é que, o quanto essa foto iria me lembrar dele. Naquele momento, todas as coisas boas e incríveis que vivemos vieram na memória. Que falta você faz aqui, meu amigo! 

    Às vezes, me pego pensando sobre as coisas que não serão acompanhadas por você. Você não vai ver minha graduação, nem vai estar por perto quando tiver filhos. Eu queria tanto que eles conhecessem o tio nerd mais legal que eles poderiam ter. Mas, o que me consola é saber que, mesmo com sua ausência, você continua presente em todas as minhas fases. Dentro do meu coração você continua ocupando o mesmo espaço. E eu vou falar de você e sobre você para todas as pessoas que eu tiver oportunidade. 

    Eu sei que hoje é dia dos namorados, mas foi impossível não lembrar de você e querer você pertinho da gente. Obrigada Deus, pela oportunidade de ter convivido por quase 30 anos com uma das melhores pessoas que já pisou nesse mundo. Patrick Dantas de Carvalho, vou te amar pra sempre. 

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    Há cerca de 13 ou 14 anos, eu participava do meu primeiro acampamento de carnaval. eu não fazia ideia de quanta coisa na minha vida seria transformada e quanta coisa eu ainda viveria com Jesus. Eu era apenas uma adolescente em busca de conhecer o Senhor.

    não sei o que mudou, mas nada está igual...
    Há uma frase, atribuída a C.S. lewis, que diz: “não é engraçado como, dia após dia, nada muda, mas, quando você olha para trás, tudo é diferente?”

    A vida cristã é feita de um conjunto de pequenas mudanças que podem parecer insignificantes, mas que mudam tudo. Eu não sou mais aquela menina de 14 anos atrás, mas continuo caminhando para conhecer o Senhor e fazê-lo conhecido. como é bom perceber que, aparentemente, nada mudou, mas tudo é diferente.

    No último final de semana, tive a oportunidade de voltar ao mesmo lugar onde vivi memórias tão especiais, com amigos tão queridos: O Sítio Recanto Divino, em Pedra Branca. Dessa vez, com os irmãos da Igreja Batista de Campinas (@igrejabatistadecampinas). Que especial foi conhecer mais gente da família da fé, aprender mais e aprender sobre nossa identidade em Cristo.

    Quem diria que, depois do acampamento de carnaval da @ipfriburgo ~ após eu dizer inúmeras vezes o quanto estava cansada ~ eu iria para outro acampamento? Eu fui. E foi bom HAHAHA.✨👍🏾


    Quase sempre, na adolescência, o acampamento era no mesmo lugar. A foto aí de cima não é o registro do meu primeiro acampa, mas deve ter sido o 2º ou 3º em que eu fui. Que gostoso é poder viver essas lembranças. ✌🏾
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    E se, talvez, nós formos aqueles nos quais Deus investe a longo prazo?

    Pense: Abraão, Sara, Moisés. Todos eles alcançaram o auge de suas vidas já mais velhos. E entenda: não falo de dinheiro ou posses, eu falo sobre cumprimento de propósito.

    Quando cheguei aos 30, achei que minha vida já estaria resolvida. Aos 31, veio a frustração, porque “não foi essa vida que eu imaginei”. Ao escrever para um autor de quem gosto muito, contando sobre a experiência de ler seu livro (Isto é filtro solar), compartilhei com ele e disse:

    “Emílio, achei que com 30+ a minha vida já estaria resolvida…”
    Ele gentilmente respondeu: “Estou com quase 50 e ainda tem muito pra resolver”.

    Quando olhamos para nossos antepassados — grandes homens e mulheres de fé — percebemos o mesmo padrão. Do mais novo ao mais velho, todos tinham questões mal resolvidas. Mas o que boa parte deles fez foi colocar a esperança no lugar certo.

    A nossa geração incita que tenhamos esperança no dinheiro, no sucesso, nas bets, nos influenciadores, na harmonização, no mounjaro e em tudo aquilo que, de certa forma, trará alguma glória ou reconhecimento a nós mesmos. O convite da serpente continua sedutor aos nossos ouvidos. Queremos ser autônomos, viver a vida do nosso jeito, porque do nosso jeito é melhor.

    Mas o sucesso, diante de Deus, é obedecer à sua Palavra. Aos 33 anos, Jesus não tinha seu rosto estampado na Forbes. Não estava em busca da sua melhor performance, de recordes pessoais ou de bem-estar. Não tinha alcançado seu primeiro milhão, não tinha terminado a faculdade, não era CEO nem top voice do LinkedIn. Pelo contrário: o homem-Deus, ao cumprir seu propósito, estava pendurado em um madeiro. Abandonado, pobre e solitário. Aquele objeto de vergonha viria a se tornar um símbolo que apontava para nossa maior riqueza. Seria Ele um fracassado? Um derrotado? Uma farsa? Não. Ele era o Filho amado.

    A nossa vida não é sobre performance.
    O sucesso diante de Deus não é medido por likes.
    Faça o que é bom, melhore, cresça, engorde, engravide, emagreça, mas faça isso com a intenção certa.

    Tudo bem não estar com tudo resolvido aos 30, aos 40, aos 50, aos 90…

    Talvez você também seja um desses investimentos a longo prazo. Talvez o rendimento desse investimento não seja aquilo que você pensa, mas não existe crise nos negócios de Deus. Que a nossa vida resulte em glória para o Senhor, mesmo em meio à pobreza, dor e sofrimento — e vice-versa. Que Ele seja nosso contentamento.

    Não seja mala.
    Todos nós estamos carregando nossos próprios fardos e fracassos.
    Não se sinta culpado por querer descansar.
    Beba água.

    Feliz 2026!

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    A presença da paciência sinaliza um coração grato e obediente a Deus e vinculado corretamente ao lugar no qual ele vem nos encontrar todos os dias: o momento presente." 🌱 (Guilherme de Carvalho)

    Essa é parte da introdução feita pelo @guivrc no livro "O lugar da espera na vida cristã" da @vabelmonte. Esse pequeno grande livro é uma bênção para os corações ansiosos e impacientes, isso porque Vanessa, com muita paciência e sabedoria, ensina que a espera é uma oportunidade de conhecermos a Deus e descansarmos em seus propósitos.

    Cada capítulo termina com perguntas para reflexão sobre o tema-chave e, no final, você também encontra um roteiro de estudos, o que o torna ideal para ser lido/estudado em pequenos grupos. ✌🏾

    Pra quem já teve a oportunidade de conhecer a Vanessa pessoalmente, esse livro é como um daqueles seus abraços gostosos e demorados. Somos corrigidos, acolhidos e inspirados a permanecer nessa espera, porque ela vale a pena. 

    Além falar sobre a espera como um processo ativo, Vanessa mostra que a espera é fundamental para a jornada de todo cristão: ‘‘O problema é que os discípulos de Cristo enfrentam é que a pressa não forja uma fé madura, mas cristãos ansiosos, manipuladores e inseguros. ’’ (pág 10)

    01. Esperar é um fim em aberto.

    Esperamos sem saber o que acontecerá, Deus é quem está nos guiando nessa jornada. muitos de nós sofre por querer controlar o futuro, por isso a espera às vezes nos angustia e assusta:

    ‘‘Criamos expectativas concretas do que precisa acontecer em nossas vidas para que elas tenham sentido, para sermos felizes e encontrarmos satisfação. o casamento, os filhos, a carreira, o estilo de vida, certas situações e acontecimentos. esperar é um fim em aberto [...] porque esperar de verdade é abrir mão do controle do nosso futuro e deixar Deus definir nossa vida, confiando que Ele nos molda de acordo com seu amor e não de acordo com o nosso medo." (O lugar da espera na vida cristã — págs. 28 e 29)

    02. A espera não é solitária, esperamos juntos

    Não somos viajantes solitários, estamos com outros peregrinos. Juntos, fortalecemos uns aos outros enquanto esperamos.

    ‘‘A vida em comunhão nos consola e nos fortalece. o abraço amigo, a palavra de orientação e ânimo, a oração conjunta, o desabafo numa conversa, o choro, o cuidado dos outros [...] Não precisamos esconder nosso sofrimento e nossa vulnerabilidade uns dos outros, como se fôssemos fracassados que não alcançaram o que desejavam. [...] Um ajuda o outro a compreender o que está acontecendo em nós, a permanecer fiel a Deus e a confiar em suas promessas. Precisamos aprender a encorajar uns aos outros nos momentos difíceis, quando já esperamos tanto a ponto de esquecer que estamos esperando algo que é digno de toda a espera." (O lugar da espera na vida cristã — págs. 75,76 e 77)

    03. A espera é um processo ativo

    A espera não é um tempo perdido. Quando esperamos, estamos entregando, confiando e nos submetendo a Deus e a Sua vontade. 

    ‘‘A imagem do peregrino que está caminhando em direção a cidade celestial é a mais adequada. Esperar é caminhar; não é ficar parado, sentado à beira do caminho, aguardando algo externo acontecer. Esperar implica uma recusa em fazer o que eu acho que precisa ser feito, com a força do meu próprio braço e do meu entendimento do que é o certo, para dar uma ajuda a Deus, que parece estar demorando demais. Esperar implica obediência à vontade de Deus, mas não é uma obediência cega a um estranho. É uma parceria, um caminhar comum Amigo, um Pai [...] Alguém que anda comigo e me orienta a cada passo." (O lugar da espera na vida cristã — págs. 79 e 80) 

    📖 O lugar da espera na vida cristã 
    ✍ Vanessa Belmonte (@vabelmonte) 
    📇 @thomasnelsonbrasil
    📑 108 páginas

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     "O único lugar fora do céu onde você pode ficar perfeitamente seguro de todos os problemas e perturbações do amor é o inferno." (Os quatro amores, pág. 164)

    Afeição, amizade, eros e caridade: essas são as quatro categorias de amor segundo C.S. Lewis. No livro, ele define e explica como cada um desses amores funciona.

    1️⃣ Afeição: a forma mais humilde de amar. Nesse capítulo, Lewis mostra como a afeição tem seus próprios critérios e como pode ser facilmente distorcida. na pág. 72, ele conta a história da Sra. Fidget, alguém que "vivia para a família", mas que possivelmente por "amar demais", acabou não percebendo que amar também é ensinar aos outros a não necessitarem de nossas dádivas.

    2️⃣ Amizade: considerada a mais rara e a menos ciumenta dos amores. Esse é um dos meus capítulos favoritos! Nele, Lewis discute como uma amizade se forma e cita a morte de charles para explicar que sua partida levou algo único de cada um que só ele podia proporcionar (página 88).

    3️⃣ Eros: o amor apaixonado, que quando não governado pode facilmente se tornar um deus. Nesse capítulo, Lewis fala bastante sobre relacionamentos. Na pág. 142, trás uma explicação profunda sobre efésios 5.25: "o marido é o cabeça da esposa quando ele é para ela o que Cristo é para a igreja".

    4️⃣ Caridade: o maior e o menos egoísta. A caridade é o amor não natural, que vem do próprio Deus. É aquele amor que faz com que amemos os difíceis. "Existe algo em cada um de nós que não pode ser amado de forma natural" (pág. 177). A caridade transforma nossos amores naturais; através dos atritos e frustrações, somos transformados a amar.

    Lewis não é uma leitura fácil, mas vale muito a pena insistir (e ler diversas vezes a mesma página). 😅

    📖 Os quatro amores
    ✍️ C.S. Lewis
    📇 @thomasnelsonbrasil 
    📑 187 páginas
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    Mariana Canto Uma designer, formada em teologia e que estuda biblioteconomia. Aqui escrevo sobre o que leio e compartilho o que aprendo. Saiba mais +
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