No dia dos namorados eu lembrei do meu melhor amigo.

junho 12, 2026

Eu devia ter meus 3 ou 4 anos quando conheci o Patrick. Desde então, a gente nunca mais se separou.

Patrick virou meu vizinho, e a casa dele era como se fosse uma extensão da minha. Apesar de, no início, ele e meu irmão terem começado essa amizade — passando HORAS brincando de bonecos —, aos poucos eu fui me inserindo na brincadeira, até que, com o tempo e a maturidade, fiquei por ali também.

Os anos foram passando e todos os dias eu ia pra casa do Patrick. Depois da escola, a gente ficava junto mexendo no computador ou jogando videogame. Patrick me ensinava muitas coisas legais: Pokémon, origamis, curiosidades históricas, HQs.

Vivemos juntos as descobertas da adolescência, o ensino médio, os amores, as escolhas profissionais… O primeiro emprego, a faculdade, a aprovação nos concursos, a segunda faculdade. Tantas coisas, boas e ruins, trágicas e extraordinárias. Coisas que, às vezes, nem precisava compartilhar com palavras, o meu melhor amigo me conhecia muito bem (e como ele costumava dizer ~ menina, eu te conheço desde dos 4 anos de idade, não tem mais nada que possa me surpreender ~). Lembro da vez em que falei com ele sobre um menino que eu tinha ficado e como aquilo estava sendo esquisito (HAHAHA meu Deus, ser adolescente é traumatizante demais). Até que um dia comecei a namorar o Vinício, que ele também já conhecia. Meu melhor amigo, meu irmão, também era amigo do meu namorado. E quando nós três estávamos juntos, tudo parecia exatamente como sempre foi.

Patrick acompanhou minha conversão, meu namoro, meu noivado, meu casamento, minhas mudanças de estado, meu retorno para Friburgo, a reorganização da minha casa. Desde 2018, voltamos a passar o Natal e o Ano Novo juntos… até que, na manhã do dia 15 de fevereiro de 2024, eu recebi uma daquelas ligações que ninguém quer receber. Como pode? Há 3 dias atrás estávamos conversando normalmente. Tudo foi como um pesadelo, eu não tava conseguindo acreditar... Na verdade, ainda é difícil acreditar.

Hoje eu convivo com um vazio no meu coração que é quase tão grande quanto o Patrick.

Nesses dias dos namorados, lembrei de você. E o luto é assim… ele não escolhe a data em que, de repente, vai jogar uma memória na sua cara. Fui entrar numa trend em que era preciso escolher uma foto antiga de casal, e lembrei de uma foto tirada pelo Patrick, na casa dele: eu e Vinício jogando videogame juntos. O que eu não sabia é que, o quanto essa foto iria me lembrar dele. Naquele momento, todas as coisas boas e incríveis que vivemos vieram na memória. Que falta você faz aqui, meu amigo! 

Às vezes, me pego pensando sobre as coisas que não serão acompanhadas por você. Você não vai ver minha graduação, nem vai estar por perto quando tiver filhos. Eu queria tanto que eles conhecessem o tio nerd mais legal que eles poderiam ter. Mas, o que me consola é saber que, mesmo com sua ausência, você continua presente em todas as minhas fases. Dentro do meu coração você continua ocupando o mesmo espaço. E eu vou falar de você e sobre você para todas as pessoas que eu tiver oportunidade. 

Eu sei que hoje é dia dos namorados, mas foi impossível não lembrar de você e querer você pertinho da gente. Obrigada Deus, pela oportunidade de ter convivido por quase 30 anos com uma das melhores pessoas que já pisou nesse mundo. Patrick Dantas de Carvalho, vou te amar pra sempre. 

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